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IMAGEM - TEMPO - PALAVRA

Meu processo criativo parte daquilo que resiste. A Cultura, a natureza e a memória atravessam meu fazer não como temas a serem representados, mas como forças que deixam rastros e marcas. Em minhas composições utilizo fotografias autorais e sobreposição de imagens diversas - fragmentos, ruídos, camadas que se impõem e se combinam até que a obra se manifeste. O feminino entendido como o que persiste, orienta meu gesto: o que não se enquadra, o que escapa, o que pulsa nas margens e nas dobras da história. É nessa dimensão que a natureza se revela como corpo e linguagem. Ao reunir pedaços de imagens, fios, tecidos, papéis ou ideias em constantes sobreposições e deslocamentos, não busco totalidade, busco o que permanece em sua parcialidade. Crio com e a partir do que sobra - dos restos simbólicos que persistem - e o que se revela não é completude. Transito por diferentes suportes e meios, assim a obra se abre ao imprevisível. As relações entre imagem, tempo e palavra que sustentam minha pesquisa, são concebidas como aquilo que escapa ao controle e nos devolvem o olhar, o que insiste em resistir. A tríade construção, desconstrução e reconstrução que orienta o processo é menos método que gesto ao deixar que a obra se revele em sua condição de objeto ativo. Assim, cada criação se torna uma espécie de outro, um objeto capaz de nos observar deste lugar do tempo e da memória. A obra se torna um campo de forças, um território de tensão onde o simbólico e o imaginário, o presente e passado, se encontram para multiplicar sentidos e interrogações, permitindo que a matéria fale, que o resto floresça e que o feminino em sua potência e resistência se revele no indizível do verbo e no invisível da paisagem e do corpo da obra.

© Copyright Vanessa CTReis
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